Ir para o conteúdo
Canto da Mamãe

Saúde & Bem-estar

Pele ressecada no inverno: cuidados simples que funcionam

7 min de leitura

Mãos sendo lavadas em água corrente na pia da cozinha, com um vaso de flores na janela ao fundo

Repare nos seus nós dos dedos agora mesmo. Se estiverem esbranquiçados, meio ásperos, puxando quando você fecha a mão — bem-vinda ao clube de agosto. Aqui em casa é sempre assim: o cotovelo do meu marido racha, o joelho do meu filho descasca de tanto se arrastar no tapete, e eu ando com uma lata de creme no bolso do casaco feito quem carrega um remédio de verdade. Pele ressecada no inverno é chatura da estação, não falta de cuidado — mas dá, sim, para melhorar bastante com hábitos simples, sem gastar uma fortuna em produto milagroso.

Um parêntese antes de continuar, como sempre nesta categoria: o que vem a seguir são hábitos gerais, que valem para a maioria das peles saudáveis. Se você tem uma condição de pele diagnosticada, ou se o ressecamento não melhora com nada, a conversa certa é com um dermatologista — mais adiante explico quais sinais merecem essa consulta.

Por que a pele resseca justo agora

O ar frio carrega menos umidade que o ar quente, e o corpo transpira menos — duas coisas que já deixam a pele mais seca por conta própria. Some a isso o hábito quase automático de tomar banhos mais longos e mais quentes quando o frio aperta, e o estrago está feito: a água quente dissolve o manto de gordura natural que a pele usa para reter a própria umidade. É por isso que a mesma pele que em janeiro parecia perfeita, em agosto vira um mapa de linhas finas nas pernas.

A Sociedade Brasileira de Dermatologia chama atenção para um detalhe que a gente costuma ignorar: no frio, bebemos menos água. Ninguém sente sede do mesmo jeito debaixo de um edredom, e o corpo — pele incluída — sofre com isso por dentro, não só por fora.

Tem ainda um terceiro vilão, quieto e constante: o aquecedor ligado a noite toda, ou o ar-condicionado no modo quente, que seca o ar do quarto do mesmo jeito que um varal seca roupa. Se você acorda com a garganta arranhando e a pele do rosto puxando antes mesmo de levantar da cama, é bem provável que seja isso. Uma bacia com água perto do aquecedor, ou uma toalha úmida no varal do quarto, já ajuda a devolver um pouco de umidade ao ar — truque de avó que continua funcionando.

O banho é o primeiro ajuste

Sei que o banho quente e comprido é um dos poucos luxos disponíveis numa manhã de inverno com criança gritando “mamãe, cadê minha meia”. Mas ele é também o maior vilão da pele ressecada. A recomendação da SBD é banho morno — não quente — e rápido, de cinco a dez minutos, evitando se ensaboar o corpo inteiro todo santo dia e esquecendo a bucha, que raspa exatamente a camada que protege a pele.

Aqui em casa a solução foi prática: banho longo e quentinho vira programa de sábado à noite, sem pressa, com música. Nos dias de semana, é rapidinho — e ninguém reclama depois que percebeu que a pele parou de coçar à noite.

O creme certo, no minuto certo

Existe um truque que muda o resultado sem mudar o produto: passar o hidratante logo depois de sair do banho, ainda com a pele úmida e o espelho embaçado. É esse vapor que ajuda o creme a penetrar e a segurar a água que já está ali, em vez de deixar tudo evaporar enquanto você procura a toalha certa. Pele oleosa no rosto e no tronco agradece uma versão mais leve, sem óleo; pernas, braços e mãos pedem algo mais encorpado mesmo.

Não precisa ser caro. O creme de farmácia mais simples, usado todo dia, vence qualquer pote badalado usado uma vez por semana quando lembra. E os lábios — sempre esquecidos — merecem o próprio hidratante à parte; racham fácil e doem na hora de sorrir, coisa que ninguém quer evitar por causa do frio.

As bochechas dos filhos pequenos sofrem do mesmo jeito, só que mais rápido — a pele de criança é mais fina e perde água num instante. Aquela vermelhidão que aparece depois do parquinho, ou a rachadura no cantinho da boca de tanto lamber os lábios secos, costuma sumir com um creme neutro passado à noite. Vale reforçar com o casaco certo também: lã direto na pele irrita quem já está sensível, e uma camada fina de algodão por baixo — a mesma lógica das camadas do guarda-roupa de inverno — evita que a brincadeira lá fora vire coceira à noite.

A água que a gente some de beber

Vou repetir o que a SBD recomenda porque é mesmo simples: pelo menos dois litros de água por dia, e se for difícil engolir isso puro, um chá claro entra na conta. A mesa de inverno também ajuda nisso — uma sopa quente hidrata tanto quanto um copo de água, e ninguém nunca reclamou de tomar sopa demais.

Uma garrafinha na bolsa da escola, outra na mesa de trabalho: o hábito se sustenta mais fácil quando a água está sempre à mão, não guardada no fundo do armário da cozinha.

Sol no inverno também existe

Parece contradição falar de protetor solar logo depois de falar de frio, mas o sol de julho e agosto continua no céu — só que a gente esquece dele porque não sente o calor batendo. Manhã de sol claro caminhando com o carrinho, tarde de parque com casaco e touca: a pele recebe raio ultravioleta do mesmo jeito, e ainda por cima já está mais fragilizada pelo ressecamento. Passar o protetor no rosto antes de sair de casa, mesmo em dia nublado, é hábito de todo dia do ano, não só de verão.

Uma rotina de noite que a pele agradece

O ritual de desacelerar antes de dormir — banho, luz baixa, oração — já rende bons frutos para o sono da mãe, e serve igual para a pele: é depois do banho da noite que o creme trabalha melhor, sem sol, sem suor, sem correria de manhã atrasando tudo. Um minuto a mais na cama arrumando essa rotina compensa uma semana inteira de pele confortável.

Quando vale a pena marcar o dermatologista

A maioria dos casos de pele ressecada no inverno melhora só com esses ajustes de rotina — geralmente em uma ou duas semanas, já dá para sentir diferença. Mas alguns sinais pedem avaliação médica, não mais creme, e é bom saber diferenciar coceira de inverno de coisa que precisa de tratamento:

  • Descamação intensa e coceira que não passa, mesmo hidratando todos os dias.
  • Placas avermelhadas e ásperas, ou um ressecamento em forma de “escamas geométricas” nas pernas.
  • Rachaduras que sangram, doem ou não fecham.

Nenhum desses casos se resolve com paciência e um pote novo de creme — merece consulta, e quanto antes, melhor. Não é frescura marcar hora por causa de coceira: pele que dói ou sangra atrapalha o sono, o trabalho e até o colo dos filhos, e cuidar do próprio corpo com seriedade também é um jeito de cuidar de quem depende da gente.

Aqui em casa, o hidratante mora ao lado da escova de dente, não no fundo do armário do banheiro. É feio, ocupa espaço na pia, mas é o único jeito de eu de fato lembrar de usar todo santo dia — e sua pele, como a minha, provavelmente vai preferir um creme feio usado sempre a um bonito esquecido na prateleira.

Publicidade

Para continuar a leitura